No dicionário argumentação significa “troca de palavras em controvérsia, disputa, discussão.” A Bíblia nos ordena a saber argumentar à respeito da nossa fé “Antes santificai em vossos corações a Cristo como Senhor; e estai sempre preparados para responder com mansidão e temor a todo aquele que vos pedir a razão da esperança que há em vós;” (1 Pe 3.15). Jesus era expert na arte de argumentar. Vejamos algumas passagens exemplificativas.

    Os saduceus não criam na ressurreição e para experimentarem Jesus lhe lançaram uma aparente contradição para que Jesus explicasse. Contaram um exemplo de uma mulher que casou e seu marido morreu sem deixar filhos. Segundo o costume judaico o irmão do falecido deveria se casar com a cunhada e suscitar filhos dela. O problema é que a viúva casou-se com sete irmãos e não teve filhos e por último morreu ela mesma. Os saduceus, então, perguntaram “Lucas 20: 33. Portanto, na ressurreição, de qual deles será ela esposa, pois os sete por esposa a tiveram?”. Jesus respondeu prontamente “Lucas 20:34. Respondeu-lhes Jesus: Os filhos deste mundo casaram-se e dão-se em casamento; 35. mas os que são julgados dignos de alcançar o mundo vindouro, e a ressurreição dentre os mortos, nem se casam nem se dão em casamento; 36. porque já não podem mais morrer; pois são iguais aos anjos, e são filhos de Deus, sendo filhos da ressurreição.” Mas, o argumento que derrubou qualquer contraargumentação por parte dos saduceus foi esse “Lucas 20: 37. Mas que os mortos hão de ressurgir, o próprio Moisés o mostrou, na passagem a respeito da sarça, quando chama ao Senhor; Deus de Abraão, e Deus de Isaque, e Deus de Jacó. 38. Ora, ele não é Deus de mortos, mas de vivos; porque para ele todos vivem.”

      Ao curar um paralítico Jesus tinha observado antes a sua fé e lhe tinha declarado que os seus pecados tinham sido perdoados. Os fariseus murmuraram dizendo que Jesus era homem e não poderia perdoar ninguém. Jesus, então, lança seu argumento “Mateus 9: 4. Mas Jesus, conhecendo-lhes os pensamentos, disse: Por que pensais o mal em vossos corações? 5. Pois qual é mais fácil? dizer: Perdoados são os teus pecados, ou dizer: Levanta-te e anda? 6. Ora, para que saibais que o Filho do homem tem sobre a terra autoridade para perdoar pecados (disse então ao paralítico): Levanta- te, toma o teu leito, e vai para tua casa. 7. E este, levantando-se, foi para sua casa.” Óbvio que era mais fácil dizer perdoados estão os teus pecados. É muito fácil falar, o difícil é fazer. Por isso era mais difícil dizer levanta-te e anda porque não bastava falar o paralítico teria que se levantar na mesma hora. Dizer perdoados estão os teus pecados não pedia uma comprovação imediata. O argumento de Jesus centrava-se nisso: se eu fiz o mais difícil que é dizer levanta-te e anda e o paralítico começou a andar, porque vocês estão escandalizados porque eu disse perdoados estão os teus pecados? Se eu fiz o maior, eu posso fazer o menor.

     Os fariseus encontraram uma mulher no ato do adultério e a denunciaram a Jesus dizendo que na Lei de Moisés a pena era o apedrejamento. Jesus com apenas uma frase desnudou toda a hipocrisia e egoísmo que havia neles “Quem tiver sem pecado que atire a primeira pedra.” (Jo 8.7). A hipocrisia dos fariseus é revelada em outra passagem onde eles criticaram Jesus por comer com publicanos e pecadores. Jesus, mais uma vez, foi excelente em seu argumento ” João 8: 12. Jesus, porém, ouvindo isso, respondeu: Não necessitam de médico os sãos, mas sim os enfermos.”

     O crente não necessita de um curso de argumentação ou de um doutorado de teologia, mas ele precisa argumentar sobre sua fé. Não somos fanáticos, nossa fé está baseada em argumentos sólidos. É claro que a fé é o nosso firme fundamento, mas isso não pode servir de desculpa para nossa negligência em não saber falar o mínimo sobre o que cremos.